10/10/2011 - GILBERTO BLUME - COTIDIANO
ANO 63 NÚMERO 11.172 Seria imperdóavel perder a oportunidade de elogiar as colocações realizadas por Gilberto Blume.
Concordamos que existem exceções, tanto que contamos com famílias participativas, comprometidas e interessadas por todo o processo educativo de seus filhos, mas, em contra partida nos angustíamos diante de nossas impossibilidades. Ouvir de alguns pais: " Não sei mais o que fazer com meu filho!" demonstra, na verdade, a fragilidade da instituição familiar.
Também não podemos atribuir o estado de " fragilidade" as mais diversas formas em que as famílias modernas estão estruturadas, e sim a falta de responsabilidade, afeto, valores e limites, pois se a família, enquanto instituição fugir de suas atribuições, o que a ESCOLA poderá fazer?
ENSINAR E EDUCAR
Sexta passada tive o privilégio de conversar com alunos da 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries da Escola Municipal de Ensino Fundamental Renato João Cesa, do São Caetano. Invariavelmente, os convites para conversar com estudantes objetivam incentivar a gurizada a ler. O objetivo é nobilíssimo, por isso os convites são convocações jamais recusadas. Naturalmente, bate-papos tão informais não têm a pretensão de transformar ninguém em devorador de livros, mas uma sementinha sempre fica, ah, fica. Sem contar a própria oportunidade da experiência, em si riquíssima para todos, creio que especialmente para mim.
Repetiu-se na Escola Renato João Cesa a situação verificada em outros colégios. Não falo dos alunos, falo dos professores. Falo da angústia dos professores. Os professores estão angustiados porque as crianças que têm de ensinar chegam à escola sem educação. Há exceções, evidentemente.
Mas o fato é que algum fenômeno muito especial, forte, misterioso, danoso, seja lá o nome que se dê, está acontecendo dentro das famílias. As famílias não estão mais educando seus filhos para enfrentar a escola. De novo, não é regra, há famílias cumprindo seu papel, mas as exceções estão se tornando cada vez mais comuns.
Essa deseducação das crianças é que angustia o professor. O professor que antes precisava ensinar agora também precisa educar; ensinar as letras e dar limites; somar e fazer conviver.
A angústia não é exclusiva dos professores da Renato João Cesa, fique claro, a escola é boa, uma das maiores e mais importantes da cidade. A angústia está instalada em muitas outras escolas, se manifesta nas cartas do jornal, nos e-mails recebidos pela Redação. Essa manifestada angústia se materializa no total desinteresse dos pais pelo rendimento escolar dos filhos. Que cidadão esperar que se forme de uma criança cujos pai e mãe entregam o filho à escola esperando que os professores façam tudo, inclusive ensinar?
Escola é escola, família é família. Cada uma dessas instituições têm atribuições bem próprias, intransferíveis. Ninguém está pedindo que papai e mamãe ensinem a contento história, português, literatura, matemática. Esse papel é da escola. Não se peça, pois, que o professor assuma todas as funções que só os pais podem proporcionar integralmente, especialmente dar afeto e amor.
Essa angústia dos professores leva-nos a concluir que tem gente despreparada para ter filhos mas que está gerando filhos. Isso é irresponsabilidade e desrespeito com o ser humano.
Disponível em:
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3519546,1310,18121,impressa.html
12/10/2011 - GILBERTO BLUME - COTIDIANO
ANO 63 - 11.174
CARTA AOS PAIS
Prezados papais e mamães,
Não temas, por óbvio, esta carta não se aproximará em conteúdo nem em objetivo com a Carta ao Pai escrita por Kafka, cujas motivações e propósitos eram outros e muito particulares e sentimentais (no bom e no mau sentido). Sem contar, naturalmente, que aqui assina um mero jornalista que jamais se aproximará da genial produção intelectual do alemão. No máximo, copio mal copiado o título da missiva.
Iniciemos de novo, pois.
Prezados papais e mamães,
Aproveito o Dia das Crianças para pedir-lhes licença a fim de ingressar nesse mundo tão íntimo que é a relação dos pais com seus filhos. Minha experiência nesse rico campo se limita a ter sido filho. Não tendo sido pai, talvez seja legítimo acusarem-me de intrometido. De todo modo, insisto e prossigo, ciente de que minha inexperiência pode levar-me a cometer asneiras. A carta é objetiva. Venho pedir aos pais que:
* Ouçam e conversem com seus filhos;
* Eduquem seus filhos;
* Sejam exemplo;
* Interessem-se pelos seus filhos, sem fazer de conta (eles perceberão a diferença);
* Brinquem;
* Leiam mais para seus filhos terem a experiência da leitura em casa;
* Respeitem seus filhos;
* Imponham limites;
* Sejam duros, se necessário;
* Sejam afetuosos e carinhosos;
* Interessem-se por todas das atividades de seus filhos;
* Não espere que a escola vá educar seu filho integralmente;
* Admita que você está sendo um pai ineficiente e busque ajuda;
* Seja pai, seja mãe.
Disponível em :
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3522401,1223,18137,impressa.html
" SE CADA UM FOR RESPONSÁVEL POR SUA PARTE, NÃO PRECISAREMOS DE NOVAS LEIS QUE OBJETIVEM O DESENVOLVIMENTO DE UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE!"
Postado por :
Eliani Maria de Lucena Lorenzi
Coordenação Pedagógica


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